O que falaram

Abertura

No dia 24 de agosto às 18 horas, O Museu da Imagem e do Som de Campinas recebeu a abertura da exposição Arquivo 17, de Fernanda Grigolin.  O momento foi acompanhado de um bate-papo com a artista juntamente com o fotógrafo paraense Mariano Klautau e a pesquisadora catarinense Regina Melim, sob mediação da curadora da exposição, Paola Fabres. Confira como foi a fala de cada um naquele momento.

Antonio Carlos Oliveira: sobre o catálogo da Exposição

Achei muito interessante implodir a história, de fato isso é necessário. E são inúmeras as resistências, inclusive dos que criticam os vários micropoderes que estão aí mantendo e sustentando esse modo tão selvagem de exploração e opressão que existe, principalmente para com as mulheres, para com os negros e com todos que vivenciam formas não hegemônicas de vivenciar o amor.

Adorei a simbologia da barricada, tão bonita e forte. A vivência baseada na competição e reforçada pela alienação da pessoa leva a um distanciamento sempre maior das formas de resistência representadas nessa simbologia.

Caminhamos para onde? Penso sempre no 1984 de George Orwell, A revolução no futuro de Kurt Vonnegut, Blade Runner, o caçador de androides (1982) de Ridley Scott, magistralmente sintetizado por Noam Chomsky em “Os novos senhores da humanidade”, artigo de jornal publicado em 1992: “os novos senhores da humanidade vivem em ilhas de total prazer num mar de imenso desespero”. Leia inteiro, aqui. 

Visita guiada para convidados

No dia 25/08 aconteceu uma visita guiada, exclusiva para estudantes do EJA e no dia 26/08 uma visita guiada para convidados de São Paulo, Piracicaba e Limeira, com bate-papo com Fernanda Grigolin e Paola Fabres.

O Legado da Greve Geral de 1917
Christina da Silva Roquette Lopreato

A mulher militante no palanque fala à multidão. Solidariedade aos grevistas, ela clama! Destemida e indômita, instiga os trabalhadores recalcitrantes a aderirem ao movimento grevista. À Greve Geral!, ela incita.

A morte de José Ineguez Martinez, durante confronto entre grevistas e forças policiais no dia 9 de julho de 1917, provoca forte comoção entre os trabalhadores. Durante o cortejo fúnebre que atravessa as ruas da capital paulista, bandeiras anarquistas tremulam no meio da multidão que acompanha o féretro. A morte do sapateiro espanhol de 21 anos dá vida ao movimento grevista. O Comitê de Defesa Proletária (CDP) se forma para formular a pauta de reivindicações e orientar os trabalhadores em greve. Quando as reivindicações dirigidas aos patrões e ao governo se tornaram pública, em 12 de julho, a cidade parou. Amanheceu sem pão, sem leite, sem gás, sem luz, sem transporte. Nada funcionou na Pauliceia. A greve geral estava declarada. Uma convulsão social sem precedentes se inscrevia na história do Brasil.

A tensão se eleva. Mulheres grevistas lançam um apelo aos soldados conclamando-os a não atirarem nos seus irmãos de miséria e a se irmanarem na luta pela conquista de melhores condições de vida e de trabalho.  Confira texto completo que fez parte do Livro Texto que publicamos. 

Encerramento

Sábado, 09 de setembro, foi o último dia para conferir a exposição Arquivo 17, de Fernanda Grigolin no Mis de Campinas (Rua Regente Feijó, 859, Centro). Para o encerramento, a programação foi das 17h às 22h. Houve bate-papo com a presença das historiadoras Christina Lopreato e Samanta Colhado, ambas pesquisadoras da Greve de 1917, do fotógrafo e professor da Unicamp, Fernando de Tacca, e do militante anarquista campineiro Idilio Cândido Neto, que falou um pouco sobre o anarquismo contemporâneo e como foi a Greve de 1917 na cidade. A conversa foi mediada por Fernanda Grigolin, depois disso aconteceu a última visita guiada  da exposição. Confira abaixo os vídeos com alguns trechos do encerramento.

A Costura do Todo
Sobre o livro de artista
Por Paola Fabres

A liderança feminina aparece já na capa. Inflamando o povo, a voz que não se escuta, mas que é possível de se imaginar, sobre os gritos de todos, acionava a multidão rumo à greve de 1917. O gesto político dessa mulher no palanque evocava uma força social numa moção praticamente inédita e despertava o movimento coletivo. Essa é a ação que abre o livro. A imagem, o ruído, o grão nos remetem a esse passado.

Virando a página, as imagens vem e vão. Aparecem e desaparecem, criam arranjos, ganham corpo, se harmonizam e se atropelam para vir à tona no espaço em branco. Talvez, estejamos lidando com códigos da própria memória, que trabalha conforme uma coreografia da recordação e do esquecimento. Por isso mesmo, nos esforçamos pra segurar quando vale a pena a permanência. Continue lendo o texto completo da curadora Paola Fabres sobre o livro de artista.

SOU AQUELA MULHER DO CANTO ESQUERDO DO QUADRO: uma linha desafiada na trama do documento

Por Mariano Klautau

Tocar um documento é um ato de aventura. É necessário cuidado ao percorrer sua superfície e compreender sua extensão. Tocar um documento é desafiar sua sombra e entender seu mecanismo. É perceber o ritmo de suas imagens. Tocar um documento é desarmá-lo, desfiá-lo, destramá-lo. Tocar um documento é fazer girar suas espirais.
Quando a garota no bairro do Ipiranga, em São Paulo, chegou em seu vestido quadriculado, para ver o cortejo dos funerais do Comendador Nami Jafet, em 1924, notou que havia uma câmera a registrar a população nas ruas na despedida do proprietário da fábrica de tecelagem e estamparia. A câmera a colocou nas margens do quadro, assim como o fez com os diversos anônimos que habitam esse documento cinematográfico. Confira texto completo no catálogo da exposição, pp. 52-55

Exposição Arquivo 17

Clique aqui e confira como foram os eventos do Arquivo 17

Divulgação do projeto Arquivo 17 em vários lugares por ai 

  • Tenda de Livros fez cobertura sobre a exposição Arquivo 17 em agosto e setembro em Campinas e sobre o lançamento do livro em julho em São Paulo;
  • Canal Contemporâneo trouxe detalhes sobre a exposição;
  • Correio Popular fala do projeto, confira;
  • G1 traz a exposição;
  • Carta Campinas divulga abertura de Arquivo 17, veja;
  • Arquivo 17 é tema do Conversa Madalena;
  • Curador Claudio Zecchi realiza bate-papo na Pivô e Fernanda Grigolin é uma das convidada, leia;
  • Curador Claudio Zecchi realiza pesquisa sobre arte e espaço público, e um dos projetos que aborda é Arquivo 17. O blog dele aqui;
  • Lançamento do livro Arquivo 17 na página da Casa do Povo, leia;
  • Mapa das Artes publica uma nota sobre o lançamento do livro Arquivo 17 na Casa do Povo, aqui; 
  • Curso Arquivo 17 será realizado no Instituto de Artes (Unicamp). Informações;
  • Jornal de Borda será lançado em evento comemorativo dos cem anos da greve de 1917 no AEL – IFCH/UNICAMP, detalhes;
  • Jornal de Borda é lançado no Rio de Janeiro, e tem lançamentos agendados em São Paulo, Campinas, Belo Horizonte e Florianópolis;
  • Fernanda Grigolin é uma das palestrantes do curso V Minicurso GMarx – 100 anos da Greve Geral de 1917,  veja;
  • Jornal de Borda com edição fac-símile é pré-lançado na Feira Plana;
  • Leia reportagem de Ronaldo Bressane no Estado de São Paulo sobre editoras independentes, Fernanda foi uma das pessoas entrevistadas, aqui;
  • Site do AEL divulga a pesquisa  e o video Sobre o significado do Primeiro de Maio, acesse.